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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Atual momento vivido por Cuba, último baloarte socialista?


CUBA: Ameaça de restauração capitalista
Tony Saunois, CIT - 05 de novembro de 2010

Em setembro de 2010, o governo cubano anunciou uma série de “modernizações” econômicas. Entre as mais significativas, há a proposta de cortar 500 mil empregos no setor estatal até março 2011 como primeiro passo para reduzir o funcionalismo público em 1 milhão. Serão emitidas licenças pelo Estado para a criação de autônomos (“cuentapropistas”) com o direito legal de empregar outras pessoas, não apenas familiares.
Essas medidas são a resposta do governo à piora da situação econômica que assola o país, resultando no declínio dos padrões e qualidade de vida e escassez de alimentos para a massa da população. As “reformas” abriram uma discussão dentro de Cuba e entre os socialistas internacionalmente sobre o futuro de Cuba e da economia planificada – que embora enfraquecida pelas medidas burocráticas, no momento continua em grande parte intacta – e a perspectiva de restauração capitalista. Tal evento, se ocorresse, representaria um retrocesso para o movimento dos trabalhadores de todo o mundo. Seria sem dúvida usado pela classe capitalista internacionalmente, especialmente na América Latina, para desacreditar a ideia do “socialismo" e propagandear a ideia de que o capitalismo é o único sistema social viável.
Portanto, o destino de Cuba é de crucial importância não apenas para Cuba, mas para todos os trabalhadores e socialistas internacionalmente. Nos anos 1990 e na primeira década desse milênio, Cuba e depois a Venezuela sob Hugo Chávez, foram vistas por significativas camadas de trabalhadores e jovens como os únicos países “à esquerda” que estavam preparados para enfrentar George Bush e o imperialismo americano e mostrar que uma alternativa era possível.
O capitalismo não foi derrubado na Venezuela, apesar de algumas reformas progressistas introduzidas por Chávez, mas por outro lado, com Cuba, seu governo defende a ideia do “socialismo”. Diferente da Venezuela, Cuba tem uma economia planificada, sistema de saúde universal e educação gratuita. Sua disposição de empregar milhares de doutores e equipes médicos em todo o mundo, em países atingidos por crises e catástrofes, como no terremoto no Paquistão e Caxemira, garantiu-lhe enorme simpatia dos oprimidos da Ásia, África e América Latina e dos jovens na Europa e EUA.
A restauração do capitalismo em Cuba sem dúvida seria visto como outro retrocesso, embora não da mesma magnitude e com as mesmas consequências que a restauração do capitalismo na antiga União Soviética e Leste Europeu em 1989/92. A situação do capitalismo mundial é inteiramente diferente hoje do que era então. Mas, embora Cuba obviamente seja muito menor do que a União Soviética e Leste Europeu, a restauração capitalista sem dúvida teria séria consequências já que em a escala mundial existiam mais ilusões em Cuba do que existiam na antiga União Soviética na época de seu colapso.

Pior crise econômica desde o “Período Especial”
O destino de Cuba é importante e tem lições cruciais para os trabalhadores e socialistas internacionalmente. Cuba certamente enfrenta sua crise econômica mais séria desde o “período especial” após o colapso da antiga União Soviética, que teve devastadoras consequências na ilha. O PIB caiu impressionantes 34%! Foi introduzido o racionamento de alimentos, mas às vezes apenas um quinto dos níveis mínimos de nutrição da ONU era alcançado. Segundo alguns relatos, a ingestão de calorias caiu de 3.052 por dia em 1989 para 2.099 em 1993. Foi uma testemunha da base social e do apoio à revolução o fato do regime cubano ter sobrevivido a esse período. Isso especialmente após a aprovação da Lei Helms-Burton em 1996, que fortaleceu o embargo americano numa tentativa de estrangular o regime até sua implosão.
O regime cubano nesse período foi obrigado a tomar algumas medidas de emergência para abrir setores da economia, como o turismo, ao mercado privado e investimentos internacionais. Isso, junto com o desenvolvimento de outras iniciativas e os acordos petrolíferos com a Venezuela de Chávez resultou numa certa estabilização e recuperação econômica.
Contudo, algumas medidas introduzidas pelo regime, especialmente a introdução do dólar paralelo no setor turístico ampliou levou a crescentes desigualdades entre os com acesso ao dólar e os que não têm. Enquanto lojas que vendem bens em dólar têm estoques de vários dos mais modernos itens de consumo, as lojas que vendem em peso cubano são escassamente abastecidas.
A economia cresceu firmemente entre 2003-2007 – alcançando um pico de 12,1% em 2006. Contudo, depois disso ela se contraiu agudamente. Em 2008, ela registrou um déficit fiscal de 6,7% do PIB – um aumento de 70% comparado a 2007 e um déficit em conta corrente de US$1,5 bilhão, contra um excedente de US$500 milhões em 2007. A dívida externa de Cuba saltou para US$17,8 bilhões em 2007 – 45% do PIB, o que o fez dar calote em seus pagamentos internacionais da dívida em 2008. Cuba também foi atingida pela queda do preço do níquel, que responde por aproximadamente 25% das exportações cubanas.
É em resposta a essa crise econômica piorada que as novas medidas devem ser vistas, assim como as condições pioradas das massas que derivam dela. O pacote de ajustes anunciado pelo governo incluiu uma grande redução em suas importações de alimentos. Antes da revolução de 1959/60, 80% do consumo alimentar de dentro de Cuba. Hoje, 80% do alimento consumido em Cuba é importado, o que demonstra a profundidade da crise.
Esses recentes acontecimentos estão em agudo contraste com os enormes ganhos sociais e econômicos que ocorreram após a revolução. As vantagens e ganhos possibilitados pela derrubada do latifúndio e do capitalismo e pela introdução da planificação centralizada então eram evidentes.

Ganhos da revolução e da restauração capitalista
Fidel Castro justificavelmente defendeu os ganhos da revolução em 2008, quando disse que desde a revolução a expectativa de vida aumentou em quase 19 anos. A expectativa de vida media em Cuba hoje é de 77,5. A mortalidade infantil está em 6 por 1 mil no primeiro ano de vida – ligeiramente pior que no Canadá. 30 mil médicos trabalham em mais de 40 países diferentes. Foram introduzidos um sistema de saúde e uma educação gratuita altamente eficientes. O analfabetismo foi abolido nos primeiros anos da revolução. Essas conquistas foram mantidas mesmo durante o “Período Especial”.
Muitos desses ganhos seriam revertidos com a contrarrevolução e a restauração do capitalismo. Na Rússia sob Putin a expectativa de vida masculina caiu para 56! A restauração capitalista em Cuba a levaria para as condições econômicas e sociais que atualmente existem na Nicarágua ou El Salvador. E isso agora está aparecendo como uma séria ameaça por causa do declínio econômico.
A razão para essa crescente ameaça está no caráter do regime cubano e sua incapacidade de desenvolver a economia do país. Cuba revela-se dependente e integrada ao mercado mundial. A globalização da economia mundial faz com que todos os países estejam ligados a ela e não podem escapar de seus desdobramentos. Isso parcialmente era mascarado em Cuba no passado, quando ela estava ligado aos subsídios da antiga União Soviética. Desde seu colapso, o crescente comércio de Cuba com a Venezuela, Canadá, China e Espanha (seus maiores parceiros comerciais) não a imunizou dos eventos econômicos mundiais. A crise cubana está mostrando na prática a impossibilidade de construir o socialismo em um só país e a necessidade de espalhar a revolução e estabelecer uma Federação Socialista Democrática da América Latina e Caribe, a fim de planejar democraticamente o desenvolvimento dessas economias. Isso poderia começar com a criação de uma federação de Cuba, Bolívia e Venezuela para dar um exemplo prático do que é possível.

Caráter da Revolução Cubana
A revolução cubana de 1959/60 eventualmente resultou no fim do capitalismo e do latifúndio e a criação de uma economia centralizada planificada. Contudo, apesar de desfrutar do apoio esmagador dos trabalhadores e camponeses, isso não resultou em um regime de democracia dos trabalhadores genuína. Ao invés, foi construído um aparato estatal burocrático, ao contrário da democracia operária e camponesa que tomou o poder na Rússia em 1917 sob a direção de Lenin, Trotsky e dos bolcheviques.
Foi criado um aparato estatal burocrático sobre o qual se apoiou Fidel Castro. Apesar de desfrutar de um apoio esmagador, o regime governou de uma maneira administrativa e cupulista. Ele não governou da mesma maneira brutalmente repressiva que o regime stalinista que surgiu na Rússia após o isolamento da revolução e a morte de Lenin em 1924. Os expurgos em massa e o culto da personalidade da Rússia de Stalin não foram uma característica da Cuba de Castro. Contudo, ocorreu repressão de minorias e dissidentes. Além dos adversários políticos houve a repressão aos gays e lésbicas, algo que Fidel Castro agora admitiu que foi um “erro”.
A falta de um controle e gestão democráticos genuínos pela classe trabalhadora, essenciais para desenvolver a economia e a sociedade, fez com que a economia, embora planificada, fosse dirigida de uma maneira burocrática e administrativa, com crescentes dificuldades, corrupção e desperdício emergindo como resultado.

Burocracia em crise
Nas etapas iniciais da revolução essas deficiências foram parcialmente mascaradas pelo desenvolvimento geral da sociedade e da economia, possibilitado pela planificação e o status comercial favorável que Cuba desfrutava com a então União Soviética. Mas mesmo então houve ziguezagues econômicos, desperdício, corrupção e ineficiências. Desde a perda do apoio econômico da antiga União Soviética e o aprofundamento da estagnação e crise econômica, eles se aprofundaram, junto com o ressurgimento de outras questões sociais, como a prostituição, que o regime se vangloriava de ter erradicado com a revolução.
Uma economia planificada precisa de controle democrático a cada etapa e nível para funcionar e se desenvolver plenamente. Sem isso, florescem os privilégios burocráticos e métodos administrativos cupulistas, que resultam em ineficiência e corrupção, o que eventualmente leva à estagnação e regressão. Esses traços estavam presentes desde o início do regime cubano após a revolução de 1959, mas agora eles assumiram proporções sempre crescentes, à medida que a crise se intensifica. Leon Trotsky alertou sobre esse perigo em relação à antiga União Soviética quando pôs a questão: “Ou a burocracia irá devorar o estado operário, ou a classe operária varrerá a burocracia”.
Um setor da burocracia de Cuba concluiu que a restauração capitalista oferece a saída para a crise. Esteban Morales, antigo diretor do Centro de Estudos sobre Estados Unidos (CESEU) da Universidade de Havana, e crítico socialista de esquerda do regime, alertou em um artigo: “Corrupção: a verdadeira contrarrevolução” (21/10/2010): “Sem dúvida, está se tornando evidente que há pessoas em posições no governo e no Estado que estão financeiramente se preparando para quando a Revolução falir, e outras podem ter tudo quase pronto para transferir bens estatais para mãos privadas, como aconteceu na velha União Soviética”. (ver afrocubaweb.com/estebanmorales.htm)
Ele cita o caso da remoção do General Acevedo como diretor do IACC (Instituto de Aeronáutica Civil de Cuba) sem uma plena explicação pública. Morales conclui que foi porque embaraçaria o regime ter que explicar como “pessoas criadas e formadas pela revolução” esbanjaram o dinheiro e os recursos do povo. Ele conclui com a hipótese de que “... os chefes estão recebendo comissões e abrindo contas bancárias em outros países”. Morales, um respeitado escritor sobre a questão racial em Cuba, foi expulso do Partido Comunista Cubano após a publicação desse artigo. Isso reflete a luta e debates que se desdobram dentro do Partido Comunista Cubano e no regime em geral sobre qual caminho tomar. Certamente há diferentes alas dentro da burocracia. A mais pró-capitalista é forte nas forças armadas, com suas próprias empresas em diferentes setores da economia, e da qual vem Raúl Castro – irmão de Fidel.
Desde que chegou ao poder, quando substituiu oficialmente seu irmão Fidel como chefe de Estado, Raúl substituiu estimados 60% dos ministros do governo, no processo trazendo pessoas próximas a ele. Ele tem feito passos experimentais para seguir a “via chinesa”. Ocorreram uma série de encontros e trocas com o regime chinês. Ele aprendeu experiências do Leste Europeu durante uma visita do ultimo líder da Alemanha Oriental (RDA), Hans Modrow.

“Cuentapropistas” e a economia planificada
Recentemente, ele anunciou a concessão de licenças para pessoas se tornarem autônomos. Houve também algumas mudanças na propriedade da terra e abertura de alguns mercados agrícolas limitados fora do controle estatal.
Contudo, embora esses passos sejam significativos e representem a introdução de certos elementos capitalistas na economia, nessa etapa também são limitados e continuam precários. Continuam monitorados pelo Estado e ainda não tocaram nos traços principais e decisivos da economia planificada.
O sistema de “cuentapropistas” permitirá que pessoas se tornem autônomos e que empresas empregarem um número limitado de trabalhadores. Serão aplicados a encanadores, eletricistas, cabeleireiros e alguns outros setores. Tal “reforma” também foi introduzida durante o Período Especial nos anos 1990. Em seu auge, havia 200 mil “cuentapropistas”. Depois, foram reduzidos quando Fidel Castro recentralizou a economia.
A criação de “cuentapropistas” exigirá permissão estatal. No ano passado, o número total empregado nessa categoria chegava a 143 mil, de uma força de trabalho de estimados 5,7 milhões. Contudo, além disso há um grande número de empregados estatais que fazem “trabalhos por fora” para completarem o orçamento.
Pela primeira vez, um sistema de taxas foi introduzido para esses pequenos negócios. Não são pagos impostos em Cuba. Pela primeira vez desde 1968, pequenas empresas em 83 classificações poderão empregar pessoal que não seja de familiares. Em 1968, Castro nacionalizou todos os pequenos negócios e empresas na ilha. O Militant, antecessor do Partido Socialista (CIT na Inglaterra & Gales) e o CIT se opuseram a essa medida na época.
A nacionalização de todos os pequenos negócios, lojas etc. sem dúvida aumentou a burocratização e ineficiência de muitos setores. A introdução de uma economia centralizada planificada democraticamente precisa se basear na propriedade estatal das principais companhias e bancos que dominam a economia. Mas não é necessário nacionalizar cada cabeleireiro ou pequena empresa. Ao contrário, a criação de cooperativas locais que podem comercializar e se ligarem ao setor estatal é uma forma mais eficiente de funcionamento desses setores econômicos.
Essas medidas tomadas em 1968 foram parcialmente em resposta aos levantes que abalaram o Leste Europeu – especialmente o movimento na Tchecoslováquia – sob a pressão da burocracia da antiga União Soviética. Castro admitiu em 2005: “Entre todos os erros que podíamos ter cometido, o maior de todos foi acreditar que alguém realmente sabia algo sobre socialismo" – referindo-se à União Soviética. “Sempre que eles diziam: ‘essa é a fórmula’, nós acreditávamos. Como se fossem um médico”.
É significativo que Fidel Castro reconheceu esse erro, mas o problema estava em não entender qual alternativa era necessária – a introdução de um genuíno sistema de controle e gestão dos trabalhadores e a difusão da revolução para outros países da América Latina e Caribe. Isso se refletiu no caráter do Estado formado após a revolução, com a classe trabalhadora não estando conscientemente à frente da revolução.
O dilema de Fidel Castro, e de Raúl hoje, é que embora eles reconheçam que há uma grande crise e o problema da burocratização, sem alternativa eles são obrigados a ziguezaguear na política em busca de uma saída para a crise.
Os problemas que as atuais reformas ainda podem encontrar já foram experimentadas nas “reformas” agrícolas introduzidas em 2008. Uma das mais importantes “reformas” anunciadas até agora, entregou terra ociosa a fazendeiros privados e cooperativas. Até o fim de 2009, 100 mil beneficiários receberam um total de 920 mil hectares, equivalente a 54% da terra agrícola não-utilizada no país.
Mas embora a propriedade tenha mudado, nenhum sistema de mercado foi permitido para a compra de equipamento ou tecnologia, crédito, divisas e vendas finais. A Acopio, a notoriamente corrupta e ineficiente agência estatal de compra e distribuição, ainda exige que os produtores agrícolas vendam 70% das colheitas ao Estado a preços baixos.
Contudo, embora a pressão pela restauração capitalista esteja aumentando, não é de todo certo que será completada. Um obstáculo é o medo da burocracia cubana de que uma abertura da economia veja uma enxurrada de exilados cubanos reclamando propriedade, terra e fábricas e a destruição do regime cubano. A burocracia simplesmente não seria capaz de se apropriar dos bens estatais como fez a burocracia soviética. Ela teme que seu destino possa ser mais próximo do antigo regime stalinista da Alemanha Oriental, que foi simplesmente varrido pela Alemanha Ocidental capitalista e sua máquina estatal.
O regime cubano, portanto, age de forma extremamente cautelosa e hesitante. Ao anunciar as recentes reformas econômicas, Raúl Castro também insistiu que “o sistema socialista é irrevogável”. O ministro da economia, Marino Murillo, declarou que embora o papel do Estado seja reduzido nos pequenos negócios, ele “continuaria a dirigir uma economia centralizada”.
A imprensa internacional deu muita publicidade à declaração de Fidel Castro ao jornalista americano Jeffry Goldberg: “O modelo cubano não funciona mais nem para nós”. Essa declaração repercutiu em todo o mundo, interpretada como Castro repudiando o “socialismo”. Menos atenção foi dada a seus comentários após a entrevista, no lançamento do segundo volume de suas memórias, quando argumentou: “Minha ideia, como o mundo todo sabe, é que o sistema capitalista agora não funciona nem para os Estados Unidos nem para o mundo, levando-os de crise em crise, e a cada vez mais sérias”.

Medo de crise social e possível regime híbrido
O próprio regime é extremamente cauteloso sobre como lidar com essa crise e teme acionar uma crise social que possa sair do controle e provocar uma divisão dentro da burocracia e do aparato estatal.
O 4º Congresso do Partido Comunista Cubano em 1991 foi precedido pela organização de grandes consultas e comícios de massas envolvendo três milhões de pessoas. Elas foram relativamente abertas e refletiam as tentativas da liderança sob Fidel de agir de uma maneira bonapartista e tentar se apoiar nas massas enquanto enfrentava os efeitos da crise.
Significativamente, após o discurso de Raúl Castro em 2007 em Camaguey, os resultados das “consultas” que ocorreram em todo o país foram mantidos secretos e as decisões tomadas em relação à reforma econômica foram mantidas nas mãos de um pequeno grupo. Isso reflete a falta de confiança e hesitação do regime nessa etapa.
É inteiramente possível que embora sejam tomados mais passos rumo à introdução de medidas capitalistas, o Estado continuará a manter um papel central ou poderoso na economia. Pode surgir um regime híbrido – onde passos significativos para a restauração capitalista são dados, mas o Estado e o regime burocrático mantenham uma poderosa influência controladora. Em certos aspectos isso já aconteceu.
A perspectiva de uma crise aprofundada na economia mundial pode reforçar isso ou até resultar na re-intervenção pelo Estado naqueles setores da economia onde havia perdido o controle – como já aconteceu em Cuba após o Período Especial. A diferença dessa vez é que a crise econômica está se tornando mais aguda em Cuba e é acompanhada de outras ameaças.
Em particular, há o crescente fosso entre a geração mais velha que se identifica com a revolução e seus tremendos ganhos sociais, e a experiência da geração mais jovem que cresceu sob o atual regime. 73% da população cubana nasceu depois da revolução de 1959. A alienação da juventude com os efeitos sufocantes da burocracia, restrições de viagem, negação de acesso à internet, supressão de músicas etc., colocam em risco a revolução se não houver nenhuma renovação. A substituição de Fidel por seu irmão Raúl apenas aumentou o problema. presidir
A juventude cresceu sob um regime que administrou escassez, enfraquecimento do sistema de saúde, habitação inadequada etc.. Seus parâmetros, portanto, não é a comparação com a vida antes de 1959 e com os ganhos feitos nos anos 1960 e 1970. A norma para ela tem sido o que existe desde o Período Especial. Seu comprometimento com a revolução é menor, dada a ausência de uma alternativa socialista democrática clara ao regime existente, ou a perspectiva de uma revolução socialista internacional.

Socialismo democrático internacional
O regime cubano claramente está entrando em uma nova etapa, onde a ameaça da restauração capitalista está emergindo como uma ameaça extremamente séria. Alguns passos significativos foram dados nessa direção, mas ainda não foram completados. Os debates que estão se abrindo em Cuba, em todos os níveis da sociedade, dizem respeito à direção que estão tomando. A saída do atual impasse está não na direção da restauração capitalista, mas defendendo-se a economia planificada centralizada e introduzindo um sistema genuíno de controle e gestão dos trabalhadores. É vital que todos os locais de trabalho elejam comitês livremente eleitos para supervisionar a administração cotidiana da fábrica ou local de trabalho. Esses órgãos precisam se ligar nacionalmente e estabelecer um sistema de gestão democrática dos trabalhadores para planejar a economia e elaborar metas de produção e um plano de emergência para a economia. Todos os funcionários devem ser eleitos e sujeitos à revogação imediata e receber não mais do que o salário médio de um trabalhador qualificado. A anulação das restrições a viagens, e livre acesso à internet, junto com o direito de todos os trabalhadores e jovens de formarem grupos de discussão, tendências e partidos políticos que não colaborem com o imperialismo e seus esforços para restaurar o capitalismo, e sindicatos independentes do Estado, estão entre as mudanças democráticas urgentemente necessárias, junto com a abertura da imprensa e da mídia ao controle democrático pelos trabalhadores e jovens.
Essas medidas, junto com um apelo para espalhar a revolução e formar uma federação socialista democrática junto com Venezuela e Bolívia, como primeiro passo para uma federação socialista da América Latina, são agora urgentemente necessárias. A planificação junto com as economias de Cuba, Venezuela e Bolívia, com a formação dessa federação, poderia demonstrar na prática como uma economia planificada poderia começar a funcionar. Esses são os passos necessários para impedir a tendência à restauração capitalista, defender os ganhos da revolução e começar a construir uma sociedade socialista democrática baseada na democracia e no controle democrático dos trabalhadores.  

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O golpe no Equador e o terrível inverno político latino-americano que se avizinha

O golpe no Equador e o terrível inverno político latino-americano que se avizinha


Na semana em que a secretária de estado ianque pediu desculpas públicas aos guatemaltecos pela realização, entre 1946 e 1948, de pesquisas médicas em encarcerados, mulheres e doentes mentais daquela nacionalidade com o intuito de testar a capacidade da penicilina na cura da sífilis (inclusive,notícia publicada pela grande mídia), o continente nuestro-americanoassiste, apreensivo, a mais uma tentativa de golpe de estado em um país da aliança bolivariana.

O Equador, do presidente Rafael Correa, teve suas instituições atacadas por um setor da polícia que teria sofrido diminuições em sua renda por conta da nova Lei de Servidores Públicos (ver comentários técnico-jurídicos sobre a referida lei) que lhes retirou uma série de benefícios, os quais seriam compensados por incrementos salariais ou soldos, segundo o governo.
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Mais que, porém, defender a democracia equatoriana, ou a “revolução cidadã” de Correa (como fizeram várias organizações populares, tais quais aVia Campesina), na qual se inclui a inovadora constituição do Equador (certamente, símbolo máximo do novo constitucionalismo latino-americano, tendo por artífices juristas progressistas do continente como Roberto Gargarela e Caterine Walsh), cabe levantar alguns pontos importantes para se pensar o que ocorre em nosso continente. Vários e importantes teóricos latino-americanos, há algum tempo, anunciavam: “vivemos uma primavera política”. Mas será mesmo? Ainda que esta questão também seja relevante, não é a ela que quero me dedicar e sim ao conjunto de episódios que assolam, há uma década, a América Latina e o que se pode fazer a partir dessa análise mínima.

Desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, vimos vários acontecimentos que tiveram o condão de consolidar uma primavera continental, mas outros tantos que apontam para um rigoroso inverno. Talvez, dentre os principais destes últimos esteja o parco avanço da estratégia bolivariana (que, por si, já é passível de algum questionamento) e a incrível escalada cooptadora nos supostos governos progressistas, em especial, da América do Sul. Mas, sem dúvida alguma, o principal índice meteorológico do inverno rigoroso que se anuncia é a série de golpes de estados a que o continente assiste estarrecido. E pior: contra estes golpes, apenas um discurso e em uníssono – a defesa da legalidade e da constituição!

Não que a defesa da legalidade e do regime constitucional seja, universalmente, uma tática equivocada. No entanto, quando esta tática – parcial por natureza, justamente por ser tática – se torna o horizonte inultrapassável de nosso tempo, um verdadeiro “fim da política”, a estratégia última e utópica de um conjunto geracional, aí sim devemos todos permanecer alerta.

O golpe contra o presidente venezuelano Chávez (documentado de forma incrivelmente direta pela película “A revolução não será televisionada”); a sedição encampada na Bolívia do presidente Evo Morales; e agora a sublevação policialesca no terceiro tripé bolivariano da América do Sul, ou seja, no Equador; todos estes episódios de extremada relevância registram a sucessiva (poderia dizer, até, galopante) organização das forças regressistasno continente, sob a égide da aliança das elites nacionais com o poder imperial (ainda que, como sempre aliás, velada) de amplos setores das diplomacias e governos de países do capitalismo chamado tardio e das corporações transnacionais. Aliados a estas tentativas frustras de golpes, estão os acontecimentos de Honduras e a vergonhosa deposição do presidente Zelaia, assim como a postura política de colombianos e peruanos e a potentíssima ideologia de cooptação nacional popular dos governos do Brasil, Argentina, Paraguai, Chile e Uruguai (claro, há de se ressalvar que cada uma destas localidades tem inúmeras peculiaridades e que, por isso, sempre há algo de arbitrário em classificá-las todas de uma mesma forma). Somada a tudo isto, a situação espoliativa no Haiti e a marcha de contínuas repressões no resto do continente, mormente com relação aos movimentos e organizações sociais e populares.

Se, por um lado, o presidente equatoriano Correa pôde resistir heroicamente, bradando:“Si me quieren matar, mantenme”; por outro, parece evidente que não há resistência suficientemente construída para o continente agüentar esta contra-ofensiva. Basta lembrar da postura, ainda que simpática, mas um tanto vacilante, do presidente hondurenho, longe que esteve de honrar o discípulo de Martí que não titubeou ao vociferar: “pátria ou morte!” Sim, o povo sempre resiste. Mas a resistência, é urgente que percebamos!, precisa ser vivida como positividade e não apenas como defesa. Neste caso, a melhor defesa está longe de ser o melhor ataque. Aqui, só se pode defender a vida e nada mais. Sobrevida, portanto, sobredefesa.

E esta denúncia está clara para os principais dirigentes dos países da ALBA. Evo Morales é enfático: os EUAAS executam treinamentos militares em territórios peruano e colombiano e vêm orquestrando golpes de estado na região. Segundo ele (conforme relatado em notícia intitulada “Morales acusa a EE.UU. de preparar golpistas en Perú y en Colombia”), os quatro grandes golpes efetivados na última década – a década da consolidação da democracia no continente! – foram levados a cabo por estas intenções imperialistas.

Daí voltar a fazer sentido o discurso de Golberi do Couto e Silva, para quem, astutamente, o ocidente precisava da América Latina, assim como esta necessitava daquele, e que, numa impressionante inversão do ideário latino-americanista, dizia: “para nós, povos desta outra América ainda embrionária e em luta com a miséria e a fome, o penhor supremo da redenção é o senso das responsabilidades próprias na defesa do Ocidente”. E o que significava esta defesa, a qual ganhou o nome pouco oportuno de defesa ou segurança nacional? Eis a resposta: “que estaremos prontos a defender, sem tegiversações covardes nem subterfúgios desonrosos, quando soar a hora extrema da prova”. E esta prova é a prova de fogo da guerra: “essa é a guerra – total, permanente, global, apocalíptica – que se desenha, desde já, no horizonte sombrio de nossa era conturbada. E só nos resta, nações de qualquer quadrante do mundo, prepararmo-nos para ela, com determinação, com clarividência e com fé”. São trechos, das conclusões e da introdução, do livro de Couto e Silva, chamado “Geopolítica do Brasil” e escrito em 1966.

É claro que se trata de texto inserido no temor contextual do anticomunismo, bem como na guerra fria, na qual o ocidente capitalista se contrapunha ao oriente, nem tão socialista assim. De qualquer forma, a clareza histórica das linhas, para quem as lê, é surpreendente, mesmo porque pede bênção (ou reconhecimento) aos países desenvolvidos e, em especial, aos Estados Unidos da América Anglo-Saxã. E tudo o que vivemos hoje parece, infelizmente, lembrar os tempos em que se preparavam paramilitares no Panamá. Agora, é na Colômbia e no Peru. Ontem, o padre Camilo Torres pagara com sua vida. Hoje, John Saxe-Fernández e Noam Chomskyesbravejam diuturnamente contra as bases militares que rodeiam a ALBA.
E o que fazemos nós? Não quero com isso recair em nenhum simplismo do tipo: “peguemos em armas!” Mas é necessário compreender que a geopolítica nunca se purificou e se há alguma grande lição a partir do pensamento de Golberi é isto: a geopolítica continua utilizando armas, ainda que dentre estas estejam também, e fortemente, os meios de comunicação e a indústria do entretenimento.
O estado de exceção instaurado, oficialmente, por Correa, no Equador, talvez deixe sem chão os teóricos da vida nua (a não ser que o conceito – estado de exceção – se molde apenas a situações particulares – e daí seria preciso limpar o terreno e voltarmos à noção de poder, já no velho Bênjamin). Daí que nem o constitucionalismo nem o novo constitucionalismo nem mesmo um futuro novíssimo constituciomalismo nos sejam suficientes. É a consciência do povo quem ditará os rumos destes processos, que continuam a ter nas armas combatentes ferozes – e, por ora, combatentes apenas inimigos. Talvez ainda Cuba e Nicarágua (países também membros da ALBA) possam complementar os ensinamentos de Venezuela, Bolívia e Equador. Não desperdicemos quaisquer experiências, pois que são preciosas todas elas e toda consciência tem de se fazer objetiva também.

sábado, 17 de julho de 2010

GOVERNO DE HUGO CHÁVEZ CRÍTICAS E ELOGIOS

GRUPO: ANA LAURA
CAROLINE BERNARDONI
LUIZA FIUZA
MARINA SEGALOTE
TURMA: 801 – 8º ANO
PROFESSORA: PEDRO
MATÉRIA: GEOGRAFIA

SUMÁRIO
Ø  Introdução    
Ø  Desenvolvimento 
o   Vida pessoal de Hugo Chávez 
o   Governo de Hugo Chávez 
o   Quem foi Simon Bolívar? 
o   Interferências e influências do presidente venezuelano nos países vizinhos 
o   Críticas 
o   Elogios 
Ø  Conclusão 
Ø  Referências bibliográficas 
  
INTRODUÇÃO

                  
                   Este trabalho tem como objetivo apresentar dados sobre o governo de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, mostrando críticas e elogios sobre seu governo.
 DESENVOLVIMENTO
*     Vida pessoal de Hugo Chávez:
                   Filho de professores, Hugo Rafael Chávez Frias, Sabaneta, 28 de julho de 1954, foi criado pela avó paterna. Estudou na cidade de Barinas e era amante dos esportes, em particular do basebol.
                 Aos 17 anos, Chávez ingressou na Academia Militar da
Venezuela, onde se graduou em 1975 em ciências e artes militares, ramo de engenharia. Prosseguiu na carreira militar, atingindo o posto de tenente-coronel.
                 Casou-se duas vezes: a primeira com Nancy Colmenares, com quem teve três filhos e a segunda com a jornalista Marisabel Rodríguez, de quem se separou em 2003 e com quem teve uma filha. Manteve ainda uma relação amorosa durante cerca de dez anos com a historiadora Herma Marksman enquanto era casado com a sua primeira esposa.

*     Governo de Hugo Chávez:
                   Hugo Rafael Chávez Frías é um político e militar venezuelano. É o 53º e atual presidente da Venezuela. Como líder da Revolução Bolivariana, Chávez advoga a doutrina bolivarianista, promovendo o que denomina de socialismo do século XXI. Ele é também um crítico do neoliberalismo, da globalização, e das relações exteriores dos Estados Unidos.
                        
                         No dia 4 de fevereiro de 1992, Chávez fracassou em um golpe de Estado contra o presidente Carlos Andrés Pérez. Detido, passou dois anos na cadeia. Foi libertado após o afastamento de Pérez, graças a uma anistia do novo presidente Rafael Caldera. Chávez abandonou a vida militar para se dedicar à política.

                 Em 1997 fundou o Movimento 5ª República. Nas eleições para a presidência, em 1998, Chávez venceu com 56% dos votos, após uma campanha contra os partidos tradicionais e promessas de combater a pobreza e a corrupção.

                 Logo que tomou posse, em fevereiro de 1999, dissolveu o Congresso e convocou uma Assembléia Nacional Constituinte. A nova Constituição, aprovada por referendo em dezembro do mesmo ano, alterou o nome do país para República Bolivariana da Venezuela (Bolivariana deriva de Simon Bolívar), ampliou os poderes do Executivo, permitiu uma maior intervenção do estado na economia, eliminou o Senado e reconheceu os direitos culturais e lingüísticos das comunidades indígenas.

                 Convocou ainda novas eleições para presidente, em 2000, nas quais Chávez foi reeleito com 55% dos votos e o Pólo Patriótico conquistou a maioria dos lugares na Assembléia Nacional. Chávez tomou posse a 22 de agosto. Apoiado na Ley Habilitante, ele pode promulgar 49 decretos em um ano, sem necessitar de aprovação da Assembléia Nacional.

                 Entre estes decretos estavam a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação estatal no setor petrolífero em 51%, e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de latifundiários. As novas leis foram contestadas pelos empresários, sindicatos, Igreja e televisões privadas, que acusavam o presidente de querer tornar a Venezuela um país socialista.

                 No dia 10 de dezembro de 2001, a Federação de Câmaras, de Comércio e Produção (Fedecámaras), que agrupa os setores empresariais do país, e a Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) convocaram uma greve em protesto contra as medidas governamentais, mas não conseguiram revogar as leis aprovadas.

                 No final de fevereiro de 2002, Chávez substituiu os gestores da companhia estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) por pessoas da sua confiança, o que gerou profundas críticas. O descontentamento com a liderança de Chávez começou a atingir alguns setores do exército e antigos companheiros.

                 A CTV convocou uma greve para o dia 9 de abril de 2002. No dia 11, um grupo de manifestantes marchou até o palácio presidencial para pedir a demissão de Chávez, que se encontrava numa contramanifestação de apoio. Quinze pessoas acabaram mortas e mais de 100 feridas em confrontos. No dia seguinte o general Lucas Rincón, chefe das Forças Armadas, anunciou que Chávez se tinha demitido, tendo o presidente da Fedecámaras, Pedro Carmona, assumido a presidência.

                 Soldados leais a Chávez organizam um contragolpe, tomaram o Palácio de Miraflores e Diosdado Cabello, vice-presidente de Chávez, assumiu a liderança temporária do país. Nas horas seguintes Hugo Chávez foi libertado da prisão na ilha de La Orchila e regressou a Caracas para retomar a chefia do Estado.

                 Em outubro de 2002 uma nova greve paralisou o país durante nove semanas. A Coordenadora Democrática (uma coligação de partidos contra o governo chavista) pediu que fosse feita uma consulta popular na qual os venezuelanos se pronunciariam sobre a permanência ou não de Chávez no poder. O referendo de 15 de agosto de 2004 mostrou que 58,25% dos votantes apoiavam sua permanência na presidência até o fim do mandato, que ocorreria em dois anos e meio.
                 Em 2005 a oposição boicotou as eleições parlamentares, acusando as autoridades eleitorais de não serem imparciais. Seguidores de Chávez ocuparam todas as vagas. Em 2006 Chávez conquistou mais um mandato nas urnas, disputado com Manuel Rosales, líder da oposição.
Em 2007 Chávez assume novo mandato declarando que levará a Venezuela ao ‘Socialismo do Século XXI’. Nacionaliza empresas, como a Companhia Ânonima Nacional de Telefones da Venezuela. Chávez decide não renovara licença da emissora de TV Rádio Caracas Televisão, uma das mais antigas e tradicionais do país.
Em 2008 Chávez propõe uma alteração na constituição para permitir a reeleição ilimitada. Ordena a nacionalização da siderúrgica Sidor e o setor cimenteiro operado por transnacionais.
Em 2 de fevereiro de 2009, Chávez completa 10 anos na presidência da Venezuela. Ele sai vitorioso no referendo sobre a reeleição ilimitada. O ‘sim’ vence com pelo menos 54%. A abstenção é de 32, 95%, considerada baixa para os padrões da Venezuela.
                   Da cor mestiça do povão, simpático, Chávez sempre foi um sucesso de público. Soube atrelar, com habilidade, sua imagem às idéias nacionalistas de Simon Bolívar, o herói venezuelano que libertou da Espanha parte da América do Sul.

*     Quem foi Simon Bolívar?
                   Um dos maiores vultos da história latino-americana, Bolivar comandou as revoluções que promoveram a independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios y Blanco nasceu na aristocracia colonial. Recebeu excelente educação de seus tutores e conheceu as obras filosóficas greco-romanas e as iluministas.
                   "O novo mundo deve estar constituído por nações livres e independentes, unidas entre si por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos" . Nessa frase dita por Simón Bolívar pode-se ter uma ideia de que ele era um homem à frente de seu tempo, de ideias revolucionárias. Em poucas palavras ele exterioriza diversas intenções e objetivos. Analisando-se a frase por partes, observa-se a intenção de:
  • Nações livres, sem o comando das metrópoles da época
  • Independentes, tanto politicamente como economicamente
  • União dos povos, tanto com objetivo de formar blocos, sejam políticos ou econômicos, como para discutir problemas de ordem mundial.
                   A ideia de "nações livres" era, provavelmente, na época, o objetivo mais importante, pois sem a liberdade, não seria possível a conquista dos outros objetivos. E para isso, Bolívar não foi só um idealizador, e sim, um verdadeiro guerreiro, enfrentando as mais diversas batalhas. Mas ele não estava sozinho nessa luta. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade haviam se enraizado nos povos latino-americanos, pois o que se viu não foi uma luta isolada de Simón e seus fiéis seguidores. Foram lutas por toda a América Latina, onde cada região teve o seu "libertador", como era chamado Simón.
                   Na questão de independência, Bolívar via como necessário não só uma nação independente, mas também democrática: "Somente a democracia, no meu conceito, é suscetível de uma liberdade absoluta" vinculando a ideia de um governo democrático, além do fato também, de ver a necessidade de que se tenha um projeto econômico.
                   Na terceira parte, ele propõe a união dos povos entre si "por um corpo de leis em comum que regulem seus relacionamentos externos". É mais nessa terceira parte que se pauta este trabalho, pois tais leis em comum seriam o Tratado de União, Liga e Confederação Perpétua, assinado no Congresso do Panamá.

*     Interferências e influências do presidente venezuelano nos países vizinhos:
Venezuela - As relações venezuelanas
                   O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sempre que pode opina sobre a situação de seus vizinhos na América Latina. A convivência tem sido pacífica até o momento, mas já esbarrou em discussões que acenderam o temor de uma guerra no continente. A última intervenção de Chávez na política de outros países ocorreu nas eleições para presidente do Paraguai. O presidente Nicanor Duarte declarou que o venezuelano 'não deve meter o nariz no Paraguai'. Duarte disse que a interferência na campanha eleitoral paraguaia pode destruir sua amizade com o governo venezuelano.
Brasil
                   O presidente Lula mantém boas relações com Chávez, mas procura manter uma certa distância do líder venezuelano. O líder bolivariano é muito admirado em certos meios da esquerda brasileira.


Argentina - Relações suspeitas
                   Chávez ajudou a Argentina a sair da crise comprando títulos da dívida pública do país. No final do ano passado, surgiram suspeitas de que Chávez estaria ajudando na campanha da atual presidente Cristina Kirchner quando um venezuelano foi preso com um mala que continha US$ 790 mil.

Paraguai - Interferência eleitoral
                   Chávez apóia a candidatura do ex-bispo Fernando Lugo à presidência da República. Apesar de, em algumas declarações, Lugo tentar se afastar do venezuelano, seus adversários fazem questão de denunciar supostos laços entre eles. Segundo o presidente Nicanor Duarte, grupos venezuelanos estão apoiando o principal candidato da oposição - e preferido nas pesquisas -, o ex-bispo Fernando Lugo, da Aliança Patriótica para a Mudança (APC), coalizão que conta com setores de esquerda que simpatizam com Chávez.

Bolivia - Ajuda financeira e militar
                   O presidente Hugo Chávez é um dos maiores aliados do líder boliviano Evo Morales. Além de ajudar o governo da Bolívia com dinheiro, Chávez prometeu, no final do ano passado, intervir militarmente no país no caso de um golpe de Estado contra Morales. A Bolívia faz parte da ALBA (Alternativa Bolivariana para a América Latina e o Caribe), com Venezuela, Cuba e Nicarágua.

Equador - O aliado do Equador
                   O presidente equatoriano Rafael Correa é mais um dos seguidores de Chávez. O venezuelano tomou seu partido quando o exército colombiano invadiu o território do Equador para atacar um acampamento das Farc, matando Raúl Reyes. À época, Chávez enviou soldados para a fronteira com a Colômbia e retirou seu embaixador de Bogotá.

Colômbia - Relações com as Farc
                   O presidente Álvaro Uribe é o maior inimigo de Chávez no continente. Os dois freqüentemente trocam críticas e insultos. Entre os nomes usados por Chávez para classificar Uribe está o de 'lacaio de Bush'. Chávez também mantém relações com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e chegou a ajudar na libertação de dois reféns em janeiro.

Nicarágua - A aliança militar
                   O ex-guerrilheiro Daniel Ortega, atual presidente da Nicarágua, é um grande aliado de Chávez. Em janeiro, os dois chegaram a propor a criação de uma 'aliança militar antiimperialista' para defender a América Latina de um eventual ataque dos EUA. No episódio da ação militar de Bogotá que levou à morte de 23 guerrilheiros das Farc em território equatoriano, a Nicarágua também cortou relações com o país de Uribe.A Nicarágua faz parte da ALBA (Alternativa Bolivariana para a América Latina e o Caribe), com Venezuela, Cuba e Bolívia.

Cuba - O discípulo de Fidel
                   Hugo Chávez achou no líder Fidel Castro uma espécie de mentor e amigo. Muito próximos, Chávez faz visitas freqüentes ao cubano, ao mesmo tempo em que investe na ilha com seus petrodólares. Médicos cubanos foram enviados para trabalhar na Venezuela. Cuba faz parte da ALBA (Alternativa Bolivariana para a América Latina e o Caribe), com Venezuela, Bolívia e Nicarágua.

*    Críticas:
Hugo Chávez fecha McDonald's e Wendy's
                   O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deu ordem para fechar o McDonald’s em Caracas e restaurantes Wendy’s. Primeiro foi a Coca-Cola e a empresa que produz a Barbie (Mattel), em seguida o Twitter. As empresas americanas na Venezuela permanecem entre os principais alvos da ofensiva de
Hugo Chávez contra a propriedade privada.

            A ordem para fechar o McDonald’s em Caracas e restaurantes Wendy’s vem desde os preparativos do governo para a inauguração oficial de um busto de Fidel
Castro.

                 O líder do partido de Hugo Chávez, Gerson Pérez, disse que a ação não deve ser classificada como xenofobia.

- É uma incoerência ideológica ter duas empresas identificadas com o império dos Estados Unidos e o Bicentenário da Revolução Bolivariana, não é xenofobia.

                 O presidente da Venezuela está aumentando a sua agenda socialista em face à queda dos números de aprovação de seu trabalho. A sondagem mais recente revela que a desconfiança do povo em relação ao presidente disparou para 70%, um salto 33% maior com relação aos últimos três anos. Isso inclui uma desaprovação assombrosa de 87% na sua capacidade para criar empregos. 

                 Para o pesquisador do Instituto Datanalisis, Gil Yépez, o povo venezuelano está insatisfeito com as ações do governo.

- As pessoas perderam a confiança no presidente da Venezuela e não compartilham de sua ideologia, que visa a implementação de uma autocracia. O povo venezuelano, que ainda está ligado à propriedade privada, à democracia e à liberdade de expressão, tem o direito de se organizar e usar as eleições como o mecanismo para a sociedade funcionar.


Hugo Chávez insulta arcebispo de Caracas

                 O presidente da Venezuela chamou “troglodita” ao arcebispo de Caracas, o Cardeal Jorge Urosa, e disse que este é “indigno de ser cardeal”, durante uma sessão no parlamento venezuelano, a propósito do aniversário da declaração de independência.

 “Mario Maronta (bispo de San Cristóbal) devia ser o Cardeal, porque o merece. Lá o têm, em San Cristóbal, a Conferência Episcopal quase que o mandou para o exílio. Para mim, o Cardeal é Mario Moronta”, declarou Hugo Chávez, citado pela Rádio Renascença.

                 O regime de Chávez tem sido largamente criticado pela Igreja Católica. A mais recente crítica, classificada pelos bispos como “um pecado que brada aos céus”, foi relativa à descoberta de mais de 20 toneladas de comida estragada num armazém do Estado, que daria para alimentar milhões de venezuelanos no período de um mês.
                 As palavras do chefe de Estado foram bastante criticadas pela oposição, considerando que estas insultavam não só o cardeal e a Igreja Católica, como todo o povo venezuelano.



*     Elogios:

Hugo Chávez recebe elogios de Oliver Stones

                   O cineasta norte-americano Oliver Stone descreveu o presidente venezuelano, Hugo Chávez, como “um soldado que fala com o coração”, momentos antes da estreia do documentário “Ao Sul da Fronteira” em Caracas, na Venezuela.

                   Ao comentar a sinopse do filme, o diretor explicou que, além da trajetória de Chávez, são retratadas também a transformação política e a luta contra a hegemonia dos Estados Unidos na região.
“Chávez representa um movimento em uma região que busca a mudança, busca sair da pobreza e vai contra o fato de os Estados Unidos serem o dono de todos os interesses e recursos”, afirmou.

Lula e Hugo Chávez assinam 21 acordos e trocam elogios


                   Após assinar 21 tratados e acordos bilaterais em diversas áreas com o Brasil, no dia 18/04/2010, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deu "graças a Deus" pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva ter sido eleito em 2002. Segundo ele, se a vitória petista não tivesse ocorrido, o Mercosul hoje estaria pulverizado e a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) seria a reguladora nas relações comerciais do continente.
                   Citando um de seus personagens favoritos - Simon Bolívar - ele lembrou que, em 1830, o "libertador bolivariano" recebeu o então embaixador brasileiro e disse: "Um Brasil independente é garantia de uma América Latina forte".
                   Para o presidente venezuelano, a quem o presidente Lula, segundo informações da diplomacia brasileira, cobraria nesta visita os atrasos em pagamentos da Venezuela a empresas brasileiras, a parceria estabelecida hoje entre os dois países reflete uma mudança na percepção quanto à importância da integração latino-americana. "Em 1998, era presidente eleito e vim ao Brasil pedir apoio para que a Venezuela entrasse no Mercosul. Voltei para meu país sem resposta".
                   Chávez agradeceu o apoio de empresários, deputados e senadores que aprovaram a entrada da Venezuela no Mercosul. "Chega de um mundo bipolar ou unipolar. Bolívar já falava que o equilíbrio do universo passa por uma realidade multipolar." Ele disse ainda que Lula tem um papel essencial na construção desse mundo novo. "Quando a história brasileira for contada daqui a alguns anos, haverá um lugar especial para ti", disse Chávez ao presidente brasileiro.
                   Lula lembrou a primeira vez em que defendeu o presidente venezuelano, em 2002, após a tentativa de golpe sofrida por Chávez. "Eu só não fui crucificado, porque faltava madeira para fazer cruz".
                   Nos pronunciamentos oficiais, Lula não se referiu à questão do atraso de pagamentos a empresas brasileiros, entre as quais a Marcopolo. O presidente preferiu destacar como questão de orgulho ver empresários brasileiros dispostos a investir na Venezuela, gerando empregos, riqueza e distribuição de renda naquele país. "Nosso desejo é fazer com que a Venezuela não fique dependente apenas do petróleo que produz, mas que também possa desenvolver-se em outros campos da economia. Nós defendemos o desenvolvimento da América do Sul, não apenas do Brasil".


CONCLUSÃO

                   Este trabalho foi desenvolvido a partir de pesquisas feitas na internet e estudos feitos em sala de aula em que pudemos aprender mais sobre o governo de Hugo Chávez.
                   O seu governo é muito criticado pelas suas atitudes e posturas, pois assume uma postura autocrática e socialista disfarçados de nacionalista. Considerado ditatorial quando a Assembléia Nacional, criada por ele, lhe entrega amplos poderes para decretar leis. Demite 18 mil funcionários grevistas.
                   Com uma grande reserva de petróleo o governo tenta se fortalecer política e economicamente no continente e no mundo.
                   Existe também quem apóia o governo venezuelano, pois promoveu a retomada do crescimento econômico, a redistribuição de renda e implementou vários programas sociais que promoveram melhoria da qualidade de vida e a luta contra a hegemonia dos Estados Unidos na região.







REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS