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sábado, 26 de junho de 2010

Entre mitos e verdades do atual momento hístórico brasileiro

Entre mitos e verdades do atual momento hístórico brasileiro
1- Sobre o superávit. Primeiro, superávit significa, em linguagem popular, lucro. Isso mesmo. O Brasil economizou para gerar lucro. Há mal nisso?
Contra ponto: Depende, precisamos avaliar alguns pontos, o primeiro, acho que deve ser "economizou me que?" economizar ai significa na minha visão deixar de investir em coisas como capital produtivo (seria ótimo para o Brasil uma malha férrea melhor) ou deixou de investir em saúde com novos hospitais, que tal salários dos professores ou que tal o fim do fator previdenciário e um aposentadoria mais justa? Outro ponto fundamental é para que se quer o superávit, normalmente quando ocorrem saldos positivos na balança comercial (esse superávit) eles são usados para pagar a dívida pública, a bancos internacionais como o BIRD ou a fundos como o FMI. Em fim, para mim esse economizar camufla o seguinte fato: Nossa sociedade subdesenvolvida está deixando de investir em seu desenvolvimento (social que é o único desenvolvimento real) para pagar as grandes corporações e paises desenvolvidos uma dívida unilateral, pois nessa conta não entra se quer o que saiu daqui quando éramos colônia e será que deixamos de ser? Ou pior, queremos acreditar que sim! Viva a seleção! Viva o Superávit! e viva ao Brasil oitava maior economia do planeta e quarto país mais desigual do mundo... viva... viva... viva...


2- Sobre a política conservadora. Sim, é uma merda não ter crédito a juros humanos, mas em economia é assim: para controlar a inflação, deve-se diminuir crédito. O que o governo pode fazer para inibir isso é aumentar a taxa de juros. A capacidade produtiva do Brasil não aguentaria um boom de consumo, os preços subiriam rapidamente;
Contra ponto: O que nos leva ao o que estamos fazendo com nosso superávit?! Além do mais os juros são altos para muitas coisas, mas principalmente para empréstimos financeiros. É absurdamente mais "barato" do ponto de vista dos juros, ter dinheiro para comprar algo do que para ter dinheiro para fazer qualquer coisa. É uma forma de se controlar para onde se vai crescer, direciona o capital para onde se quer. Construção civil, por exemplo.

3-Sobre considerar inchaço contratação de servidor público. Você deve ter trocado as bolas. Acho que isso é uma opinião da imprensa. O governo Lula é criticado justamente por abrir muitos concursos;
Contra ponto: Concordo, o Estado não tem de ser pequeno, devia ser absurdamente maior, alguns setores, dentro de uma lógica capitalista msm, são incapazes de funcionar com qualidade para toda população sendo privado, pois sua qualidade sempre estará condicionada ao custo de sua produção a exemplo: Educação e Saúde não simplesmente não funcionam do ponto de vista ético sendo mercadoria. Vide o caso da saúde nos EUA


4-Sobre a Vale. Concordo. Ela gerava 1% de lucro anual, por pura ingerência. Quem a privatizou foram os tucanos;
Contra ponto: Não entendi, mas certamente vender a vale foi prejuízo financeiro e só ver quanto ela lucrou durante a crise internacional. Tipo o capital em crise, os fundos monetários são transformados em ouro e a vale detem o domínio da exploração de uma das maiores reserva de ouro do mundo. Vide o caso da China e Índia que investiram maciçamente na extração de ouro durante a crise.

5-A Constituição de 88 foi votada (e não feita) por todos os representantes do povo na época. Lula e Dirceu nem sonhavam em chegar ao poder nacional;
Contra ponto: Não sei não, logo após lula foi candidato a presidência 89 e perdeu para Color.


6-Agricultura familiar atrelada a Blairos Maggis da vida, que dão a semente e o maquinário para as suas glebas. Estamos nas mãos de oligarquias agro-industriais. Dá uma visitada no Mato Grosso para ver se o bagulho não é doido? Produtos básicos são sobre-taxados, pois quem manda são os caras da bancada ruralista. O Brasil não é, de forma alguma, sul e sudeste. O poder de decisão desse país está mais para o centro.
Contra ponto: O poder de decisão vai estar, em um sistema de produção capitalista sobe governo democrático representativo (o nosso, por exemplo), vai estar a onde se produzir mais riqueza (dinheiro propriamente dito e estrutura produtiva, lembrando que no atual momento histórico em que vivemos o setor de serviços se torna estratégico: mídia por exemplo). O sudeste é, e o centro-sul está se tornando, espacialmente núcleo de produção de riqueza. Mas então por que a bancada ruralista tem tanta força no Brasil. Simples a explicação e complexa a solução: 1- O Brasil nunca passou por uma revolução, nem a burguesa, ou seja, os dominantes e dominados sempre foram os mesmos no Brasil. Mesmo os países capitalistas desenvolvidos passaram por revoluções onde essa relação, dominados e dominantes, foi profundamente alterada; 2- E mais importante, a agroindústria é uma submissão do campo ao espaço urbano industrial, pois atrela a produção agrícola necessariamente à produção industrial em moldes tecnicos inviáveis do ponto de vista financeiro
(principalmente para o pequeno agricultor) e ambiental, sejá de país desenvolvido ou não. A burguesia capitalista hoje transforma os campos em burgos. E já nos alertavam disso no século XVIII.

Um abraço a todos e espero ter contribuído.
Pedro Marinho

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Haiti e a militarização nossa de cada dia

Haiti e a militarização nossa de cada dia
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Colômbia com mais sete bases militares. Honduras sob um golpe militar legitimado por uma eleição sem legalidade. A Quarta Frota reativada em 1° de julho de 2008 -depois de mais de 50 anos desativada- e cuja função é patrulhar o Atlântico Sul. E agora o processo crescente de militarização da ajuda humanitária no Haiti.

No último dia 13 de janeiro, o mundo acordou com uma calamidade de dimensões assustadoras: um terço da população de um país, três milhões de pessoas desabrigadas, mais de 100 mil mortos, cerca de 40 mil mulheres grávidas sem a menor perspectiva de um teto para abrigar seus filhos e filhas. A comunidade internacional se movimenta a passos lentos no sentido de responder o quanto antes a essa tragédia: o terremoto do dia 12 de janeiro no Haiti.
Como explicar que a longínqua China envie alimentos que chegam mais rápido que os dos EUA, que está a menos de uma hora de vôo de Porto Príncipe? Como explicar que os mais de dois mil fuzileiros navais sejam os primeiros "bens" dos EUA a aportarem nesta ilha caribenha?
Cuba, Venezuela e a própria Comunidade do Caribe (Caricom) imediatamente enviaram seus médicos, pessoal qualificado para desastres dessa dimensão. O avião da Caricom não pôde aterrissar no aeroporto Toussaint Louverture, assim como o avião da Força Aérea Brasileira. Tiveram que aportar em Santo Domingo, na República Dominicana, uma vez que os fuzileiros navais dos EUA tomaram o controle do aeroporto e dos portos haitianos.
Cabe a pergunta: como se fecha portos e aeroportos logo após uma tragédia dessa dimensão em que a comunidade internacional está se mobilizando para o envio de medicamentos, comida e roupas? Fechar portos e aeroportos não compõe uma estratégia de guerra? Assim sempre soubemos.
Desde 2004, o Haiti está ocupado pelas tropas militares da ONU através da Missão de Estabilização do Haiti - Minustah. Desde então, várias organizações nacionais e internacionais têm se posicionado pela retirada das tropas. Após seis anos de permanência no país, pouquíssimo fizeram para a reconstrução do Haiti.

Sabemos que o comando militar dessa missão está sob responsabilidade do Brasil. Por depoimentos já veiculados na mídia, soubemos que as tropas brasileiras estão fazendo do Haiti um campo de treinamento.

Como já escrevemos em outros artigos, esses treinamentos servem ao processo de militarização de diversas periferias urbanas. Não é a toa que há treinamentos dessas tropas em favelas do Rio de Janeiro. Elas vão ao Haiti e depois retornam à cidade carioca, como foi o caso da ocupação do Morro da Providência pela Guarda Nacional, em 2008.

Nesse momento de catástrofe, nos perguntamos: que papel está tendo a Minustah? Onde estavam seus soldados nos primeiros dias da tragédia? Os relatos que nos chegam do Haiti são de que a população pobre ficou absolutamente abandonada.

Com o crescente papel dos EUA no processo de militarização da ajuda humanitária no Haiti, nos perguntamos o que faz o Presidente Obama, achando pouco enviar soldados que podem chegar ao número de 14 mil, mobilizar Bill Clinton e George W. Bush para serem os coordenadores do esforço de reconstrução do Haiti.

Como explicar que em um país tão pequeno e tão pobre do Caribe, dois ex-presidentes da maior potência de guerra do mundo - os EUA - sejam designados a cuidar de sua reconstrução? O que está por trás de tudo isso? Em nossa opinião, são estratégias de vários tipos de militarização de nossos países da América. Estamos vendo, ao vivo e em cores, em nome da ajuda humanitária, um país ser ocupado militarmente após uma catástrofe monumental.
Assim, temos que fortalecer o grito de retirada das tropas militares do Haiti. Não se faz ajuda humanitária com tropas militares. O povo haitiano, através de suas organizações e movimentos sociais, precisa ser apoiado para que sua voz fale mais alto no processo de reconstrução do país.
Desde última segunda- feira, (18/01) foi constituída no Brasil a Frente Nacional de Solidariedade ao povo haitiano formada por movimentos sociais do campo e da cidade, por centrais sindicais, pastorais sociais, movimento negro, de mulheres, enfim, um espectro amplo de organizações da esquerda brasileira. A tarefa central é trabalhar a ajuda direta junto a organizações sociais haitianas e pela retirada das tropas militares. Muito trabalho existe pela frente. A reconstrução do Haiti vai ser lenta. Mas, não esqueçamos a dívida histórica que todos temos com este país. O Haiti foi a primeira nação do mundo a abolir a escravidão. Será que é esse o seu pecado?


Sandra Quintela, economista, é integrante do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)/ Rede Jubileu Sul.

sábado, 21 de março de 2009

A ascensão do Hamas ao governo palestino e as novas configurações político-espaciais na Palestina

Em resposta as contribuições do Prof. Celso Tavares ao tema levantado no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1451092&tid=5288998409646592544

"Conflito em Gaza: quem é o maior terrorista?
A grande imprensa não se cansa de rotular o Hamas e o Hezbollah de organizações terroristas, já que atentam contra a vida de civis israelenses. No entanto, o atual massacre israelense em Gaza, onde dezenas de civis palestinos, incluindo bebês e crianças, são trucidados pelas forças de Israel, é apenas classificado como ação militar, ou, até mesmo, cinicamente, como reação contra o Hamas. Pura hipocrisia! O que estamos presenciando é o que se pode denominar "terrorismo de Estado" contra um povo sem Estado!"

Quanto a está questão acho que ela está tão clara que não há como negar as injustiças que estão acontecendo, acredito, por outro lado que o debate acerca dos motivos que estão por trás desse quadro de hipocrisia e a denuncia do que está acontecendo com o cunho de abrir os olhos das pessoas para a verdade por trás dos panos. Esse quadro está em debate na academia, sinal disso é o tema da prova didática para tutores do CEDERJ: “Avanços e retrocessos na questão palestina”. Eu busquei a ótica das “Novas configurações político-espaciais na Palestina” e “A ascensão do Hamas ao governo palestino”. Embasando a aula na questão da construção do muro da Cisjordânia (um crime contra os valores ocidentais de liberdade e democracia e que financiam esse ato) a perda de poder político do Al-Fatar devido à política de “abaixar a cabeça”, a corrupção dentro da ANP. Esses dois fatores levam a perda do poder do presidente Mahamoud Abbas (Al-Fatar), soma-se a isso o fato do Hamas não ser apenas um braço armado, ele mantém uma rede de assistência a população palestina como creches, hospitais e redes de distribuição de alimentos (não sei dizer em que termos, devemos lembrar que as informações que saem de lá são dúbias) e a gota d’água foi a retirada israelense da faixa de gaza, que sinaliza, e talvez tenha sido mesmo, uma vitória crucial e heróica para o povo palestino.

Todos esses fatos acabaram por fortalecer o Hamas que venceu as eleições legislativas da ANP, em 2006. O Hamas, como partido político, passou a ocupar 56% das cadeiras frente a 34% ocupadas pelo Al-Fatar. Esse fato levou ao endurecimento, outrora pacato, da Autoridade Nacional Palestina, e possibilitou a saída de noticias “inconvenientes”, que ajudam a compreender com mais clareza os fatos. Mais o mais importante é que a verdade é jogada na cara de todos, “os limites da democracia burguesa”.
O primeiro a questionar a própria democracia foi posto pelo ministro de Israel Ehud Olmert ao anunciar que o não é possível negociara com o novo parlamento e que continuara com os “assassinatos seletivos”. Diversos outros líderes mundiais, inclusive dos EUA, compartilham e apóiam a posição de Israel, entretanto outras organizações e países defendem a validade do processo democrático palestino.

Quanto à configuração espacial é importante ressaltar, que além da estratégia de manter a descontinuidade do território palestino e a falta de acesso ao mar (limitado apenas a faixa de gaza), o governo de Israel está construindo, em quanto falamos, o muro da Cisjordânia, que tem cerca de 80% de sua extensão em território palestino segundo os limites estabelecidos pela, se não me engano, ONU em 1967. Foi considerado ilegal em 2004 pelo tribunal internacional de Haia e o Tribunal da ONU afirma que o muro é uma tentativa ilegal de anexar território. Mas o que tem sido feito, efetivamente, para evitar a sua construção? Quem souber comente ai e contribua para o debate.


O Hamas diz ser possível aceitar o estado israelense, desde que este e demais países mediante a exigências como: Os limites territoriais de 1967, reconhecimento do estado palestino e a volta dos cerca de quase 400 mil refugiados. Tais exigências parecem ser difíceis de serem aceitas pelo estado de Israel que já manifestou através de seu muro ilegal e suas declarações de que a volta dos refugiados quer dizer mais terroristas para as linhas de frente do Hamas, o que possivelmente não deixe de ser verdade, entretanto não me parece ser um argumento valido.


A crise mundial pode ser uma virada desse quadro com a conseqüente perda da ajuda internacional a Israel que financia suas manobras militares sobre os palestinos trazendo um pouco mais de igualdade de condições ao conflito, resultando em um possível avanço do Hamas.


Bibliografia

COGGIOLA. O. Revolução e contra-revolução na palestina: Da partilha imperialista a vitória do Hamas Disponível no Sítio da Internet: http://insrolux.org/joomla/index.php?option=com_content&task=view&id=172&Itemid=51, acessado em 04/03/2009.


Para ver: http://popgeografia.blogspot.com/2009/03/faixa-de-gaza.html